Artigo · Dados, negócio e storytelling · 3 min de leitura

Você usa Power BI. Mas em qual estágio de maturidade você realmente está?

Por Paulo André Jesus · Publicado em 28/04/2026 · Atualizado em 01/11/2026

Essa pergunta tem uma resposta mais profunda do que parece — e ela veio da sala de aula, não do fórum do Stack Overflow, Youtube ou IA.

Existe uma armadilha comum no universo de Business Intelligence: confundir saber usar a ferramenta com saber resolver problemas de negócio.

Criar um dashboard não é apenas arrastar gráficos, escolher cores ou copiar uma fórmula DAX. Existe uma jornada de maturidade — e ela passa por quatro estágios muito claros.

O que poucos sabem: essa jornada não foi inventada no mundo do BI. Ela tem raiz na Taxonomia de Bloom e no movimento de Aprendizagem Criativa do MIT, liderado por Mitchel Resnick. No ensino de Artes e nas disciplinas de projetos do Novo Ensino Médio (BNCC), essa escala é usada para medir o protagonismo do estudante.

Estágio 1 — Demonstração

Na Taxonomia de Bloom: Lembrar e Entender. Você replica um dashboard já existente para entender a mecânica — modelagem, DAX, Power Query, navegação. Não é plágio. É laboratório.

Risco: achar que repetir significa entender. O famoso "dashboard de LinkedIn" — bonito, mas inútil.

Estágio 2 — Inspiração

Na Taxonomia de Bloom: Aplicar e Analisar. Você percebe que dashboard não é só cálculo: é comunicação. Hierarquia, fluxo de leitura, clareza narrativa passam a importar mais do que "ter muitos visuais".

Austin Kleon, autor de Roube como um Artista, diz: você não copia o conteúdo — você copia a lógica visual.

No Scratch do MIT, isso se chama remix. Na vida corporativa, chama-se referência de design.

Estágio 3 — Adaptado

Na Taxonomia de Bloom: Avaliar. Você aproveita uma estrutura validada e adapta ao novo contexto. Aqui entra maturidade de consultoria — porque o problema nunca é "fazer um dashboard". É entender o que realmente precisa ser resolvido.

Risco: "asfaltar o caminho do padre". Automatizar um processo ruim só faz o erro acontecer mais rápido.

Estágio 4 — Autoral

Na Taxonomia de Bloom: Criar — o topo da pirâmide. Você deixa de procurar respostas prontas e constrói soluções inéditas a partir da dor específica do negócio. Não é sobre visual bonito — é sobre arquitetura de decisão. É quando BI deixa de ser relatório e passa a ser ativo estratégico.

Risco: confundir complexidade com sofisticação. Simplicidade também é maturidade.

A reflexão mais importante

Nem todo projeto precisa ser autoral. Nem toda refeição precisa ser gastronomia molecular. Às vezes, o melhor prato é o arroz com feijão bem feito.

O erro está em permanecer eternamente no estágio de demonstração e chamar isso de estratégia.

  • O projeto de demonstração ensina.
  • O projeto de inspiração encanta.
  • O projeto adaptado entrega valor.
  • O projeto autoral transforma negócios.

A maturidade não está em inventar tudo. Está em saber exatamente quando copiar, quando adaptar e quando criar.

Essa diferença separa quem apenas usa o Power BI de quem realmente constrói inteligência.

Em qual estágio você está agora?

Publicado originalmente no LinkedIn. Ver a publicação original

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